Até a chegada dos portugueses, no século XVII, as terras do atual município eram habitadas pelos índios tupiniquins. A região foi uma das primeiras colonizadas pelos portugueses no Brasil. Tal colonização se iniciou com a chegada de Martim Afonso em 1532. A primeira vila fundada pelo explorador enviado pela coroa portuguesa, foi justamente a de São Vicente, de que Praia Grande foi parte até 1967. Desde o início, o processo de ocupação de Praia Grande teve um fator fundamental, sua localização geográfica, situada entre as Vilas de São Vicente, da qual pertencia, e a Vila de Conceição de Itanhaém. Piaçabuçu, primeiro nome dado pelos indígenas à Praia Grande, do tupi "Porto-Grande" era conhecida também como "Caminho de Conceição de Itanhaém".

Já possuía um considerável núcleo populacional de caráter essencialmente agrícola nos séculos XVII, XVIII e XIX.

Segundo o primeiro recenseamento da Capitania de São Vicente, em 1765, entre as "Prayas de Taypus e Mongaguá" , como era conhecido este trecho da orla, existiam muitos sítios na região e agricultores que utilizavam o trabalho de negros forros e escravos para produzir e abastecer as Vilas de São Vicente e Santos de produtos agrícolas e artesanais.

Pelos recenseamentos dos primeiros anos de 1800, os moradores daqui criavam algumas cabeças de gado e plantavam arroz, mandioca, cana-de-açúcar, milho, feijão, batata doce, abacaxi, pimenta, tomate, laranja e café. Cortavam árvores para produzir madeira e faziam chapéus de palha, aguardente e farinha, que vendiam parte nas vilas de São Vicente e Santos para comprar outros produtos que necessitavam.

 

 

Rio Piaçabuçu: é o principal rio de
Praia Grande, por quatro séculos foi
o principal caminho de acesso para itanhaém.

Aspectos do "Porto do Campo", atual Portinho.

 

Quem fazia o trabalho da roça e os serviços de casa eram os escravos negros, de origem africana. (Fonte: "Paisagens da Memória – História de Praia Grande").

O transporte era feito por canoas que navegavam pelo rio Piaçabuçu, até o Porto do Piaçabuçu, atual bairro Caieiras. Desse ponto em diante, as pessoas seguiam caminho pela areia dura da praia em direção a Itanhaém. Outro caminho utilizado era sair do Porto do Tumiarú (São Vicente) e atravessar para o Porto do Campo, conhecido hoje como Portinho.

As primeiras décadas do século XX determinaram uma nova forma de ocupação e fixação na região com as construções da Fortaleza de Itaipu, em 1902; da Estrada de Ferro Santos-Juquiá, em 1912 e, principalmente, a construção da Ponte Pênsil em 1914, que durante muito tempo constituiu a principal via terrestre de acesso à Praia Grande, o que despertou o interesse de investidores imobiliários, atraídos pela faixa de 22,5 Km de praias contínuas.

 


Para a construção, foram desapropriados, 
pelo Governo Federal, quatro sítios.
 

Construída com a finalidade de defender a entrada do Porto de Santos... "Para implantação do conjunto de defesa projetado, havia necessidade de um local privilegiado de onde pudesse ser vista toda a baía... Logo após ter assumido a chefia da comissão, o Major Villeroy foi a Ponta do Itaipu, uma região de Praia Grande... e reconheceu militarmente o terreno..." (Muniz Júnior, J. – Fortaleza de Itaipu: edição especial do lº centenário – 1902-2002).

Para a construção, foram desapropriados, pelo Governo Federal, quatro sítios. O Sítio Itaipus, o Sítio Prainha, o Sítio Itaquitanduva e o Sítio Suá, sendo o Sítio Itaipus de propriedade de José Gonçalves de Aguiar, último Capitão Mor de São Vicente.

 

À partir dessa época, os sítios começaram a ceder lugar aos primeiros loteamentos, entre eles: Jardim Guilhermina, 1926, Jardim Matilde, 1925 e Cidade Ocian, 1953.

 


Hotel dos Alemães, 1928
 

As transformações ocorridas a partir da década de 50 no desenvolvimento populacional e imobiliário, os interesses de lideranças políticas locais, o sentimento de isolamento e abandono em relação a Administração Vicentina, aliados a falta de infra-estrutura e serviços básicos, foram os fatores que determinaram o início do movimento em prol da emancipação político-administrativa de Praia Grande.

A articulação locais com lideranças de influência no âmbito estadual e a participação dos moradores, realizando um plebiscito em 1963, onde, dos 707 eleitores moradores, 680 votaram a favor da Emancipação, levaram o Supremo Tribunal Federal a legitimar o desmembramento de Praia Grande do Município de São Vicente em 26 de outubro de 1966.

Em janeiro de 1967, com a posse do interventor Federal Nicolau Paal, é instalado oficialmente o Município de Praia Grande.

 

Nas três décadas seguintes, principalmente com a construção da Rodovia dos Imigrantes, em 1974, um processo de ocupação e turismo extremamente veloz e desordenado transforma a paisagem da cidade.

A partir dos anos 90, as condições de vida de moradores e turistas começaram a sofrer mudanças qualitativas significativas com a realização de grandes investimentos de reurbanização, infra-estrutura e na humanização da cidade.

Quanto aos antigos sítios, permanecem na memória e na História da cidade, que se constrói a cada dia.


Turista de "um dia", na década de 70, no Balneário Paquetá.
 

Alguns projetos ainda deverão ser implantados na cidade, independentemente da administração, como o Aeroporto de Cargas na região do Andaraguá, os campus da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e da Universidade Federal de São Paulo, a transformação do aterro sanitário municipal em parque ecológico (que aguarda descontaminação do solo) e a Rota 700, que ligará o bairro Anhanguera (Zona Norte) à Imigrantes.